quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Café (Wikepédia)


Café

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Uma xícara com café.
Grãos de café Arábica torrados.

Grãos de café Arábica.
Grãos de café Conilon (Robusta).
café é uma bebida produzida a partir dos grãos torrados do fruto do cafeeiro. É servido tradicionalmente quente, mas também pode ser consumido gelado. O café é um estimulante, por possuir cafeína — geralmente 80 a 140 mg para cada 207 mL dependendo do método de preparação.[1]
Em alguns períodos da década de 1980, o café era a segunda mercadoria mais negociada no mundo por valor monetário, atrás apenas do petróleo.[2] Este dado estatístico ainda é amplamente citado, mas tem sido impreciso por cerca de duas décadas, devido à queda do preço do café durante a crise do produto na década de 1990, reduzindo o valor total de suas exportações. Em 2003, o café foi o sétimo produto agrícola de exportação mais importante em termos de valor, atrás de culturas comotrigomilho e soja.[3] Minas Gerais é o estado com maior produção de café do Brasil.[4]

Índice

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[editar]História

A história do café começou no século IX. O café é originário das terras altas da Etiópia(possivelmente com culturas no Sudão e Quênia) e difundiu-se para o mundo através do Egito e daEuropa.[5] Mas, ao contrário do que se acredita, a palavra "café" não é originária de Kaffa — local de origem da planta —, e sim da palavra árabe qahwa, que significa "vinho"(قهوة), devido à importância que a planta passou a ter para o mundo árabe.[6]
Uma lenda conta que um pastor chamado Kaldi observou que suas carneiros ficavam mais espertas ao comer as folhas e frutos do cafeeiro. Ele experimentou os frutos e sentiu maior vivacidade. Um monge da região, informado sobre o fato, começou a utilizar uma infusão de frutos para resistir ao sono enquanto orava.[7]
Parece que as tribos africanas, que conheciam o café desde a Antiguidade, moíam seus grãos e faziam uma pasta utilizada para alimentar aos animais e aumentar as forças dos guerreiros. Seu cultivo se estendeu primeiro na Arábia,introduzido provavelmente por prisioneiros de guerra, onde se popularizou aproveitando a lei seca por parte do Islã. O Iêmen foi um centro de cultivo importante, de onde se propagou pelo resto do Mundo Árabe.
O conhecimento dos efeitos da bebida disseminou-se e no século XVI o café era utilizado no oriente, sendo torrado pela primeira vez naPérsia.[8]
Na Arábia, a infusão do café recebeu o nome de kahwah ou cahue (ou ainda qah'wa, do original em árabe قهوة). Enquanto na língua turco otomana era conhecido como kahve, cujo significado original também era "vinho". A classificação Coffea arabica foi dada pelo naturalistaLineu.
O café no entanto teve inimigos mesmo entre os árabes, que consideravam suas propriedades contrárias às leis do profeta Maomé. No entanto, logo o café venceu essas resistências e até os doutores maometanos aderiram à bebida para favorecer a digestão, alegrar o espírito e afastar o sono, segundo os escritores da época.

[editar]Na Ásia e África

Em 1475 surge em Constantinopla a primeira loja de café, produto que para se espalhar pelo mundo se beneficiou, primeiro, da expansão doIslamismo e, em uma segunda fase, do desenvolvimento dos negócios proporcionado pelos descobrimentos.[9]
Café na Palestina em 1900. Imagem estereoscópica de Keystone View Company.
Por volta de 1570, o café foi introduzido em VenezaItália, mas a bebida, considerada maometana, era proibida aos cristãos e somente foi liberada após o papa Clemente VIIIprovar o café.
Na Inglaterra, em 1652, foi aberta a primeira casa de café da Europa ocidental, seguindo-se a Itália dois anos depois. Em 1672 cabe a Paris inaugurar a sua primeira casa de café. Foi precisamente na França que, pela primeira vez, se adicionou açúcar ao café, o que aconteceu durante o reinado de Luís XIV, a quem haviam oferecido um cafeeiro em 1713.
Na sua peregrinação pelo mundo o café chegou a Java, alcançando posteriormente osPaíses Baixos e, graças ao dinamismo do comércio marítimo holandês executado pelaCompanhia das Índias Ocidentais, o café foi introduzido no Novo Mundo, espalhando-se nasGuianasMartinicaSão DomingosPorto Rico e CubaGabriel Mathien de Clieu, oficial francês, foi quem trouxe para a América os primeiros grãos.
Ingleses e portugueses tentaram a sua sorte nas zonas tropicais da Ásia e da África.

[editar]Lavouras de café no Brasil

Fazenda típica de café, vista do terreiro de secagem do café ao fundo instalações -Avaré.
Em 1727, o sargento-mor Francisco de Melo Palheta, a pedido do governador do Estado do Grão-Pará, lançou-se numa missão para conseguir mudas de café, produto que já tinha grande valor comercial. Para isso, fez uma viagem à Guiana Francesa e lá se aproximou da esposa do governador da capital Caiena. Conquistada sua confiança, conseguiu dela uma muda de café-arábico, que foi trazida clandestinamente para o Brasil.
Das primeiras plantações na Região Norte, mais especificamente em Belém, as mudas foram usadas para plantios no Maranhão e na Bahia, na Região Nordeste.[10]
As condições climáticas não eram as melhores nessa primeira escolha e, entre 1800 e 1850, tentou-se o cultivo noutras regiões: o desembargador João Alberto Castelo Branco trouxe mudas do Pará para a Região Sudeste e as cultivou no Rio de Janeiro, depois São Paulo e Minas Gerais, locais onde o sucesso foi total. O negócio do café começou, assim, a desenvolver-se de tal forma que se tornou a mais importante fonte de receitas do Brasil e de divisas externas durante muitas décadas a partir da década de 1850.
Plantação próxima da cidade de São João do Manhuaçu - Minas Gerais -Brasil.
O sucesso da lavoura cafeeira em São Paulo, durante a primeira parte do século XX, fez com que o Estado se tornasse um dos mais ricos do país, permitindo que vários fazendeiros indicassem ou se tornassem presidentes do Brasil (política conhecida comocafé-com-leite, por se alternarem na presidência paulistas e mineiros), até que se enfraqueceram politicamente com aRevolução de 1930.
O café era escoado das fazendas depois de secados nos terreiros de café, no interior do estado de São Paulo, até as estações de trem, onde eram armazenados em sacas, nos armazéns das ferrovias, e, depois embarcado nos trens e enviado ao Porto de Santos, através de ferrovias, principalmente pela inglesa São Paulo Railway.

[editar]O fim do tráfico e seus efeitos

O tráfico negreiro era um dos negócios mais lucrativos da economia brasileira e movimentava muito dinheiro. Com sua proibição, os capitais antes aplicados na compra de escravos foram deslocados para outras atividades. Ocorreu assim um incremento das indústrias, das ferrovias, dos telégrafos e da navegação. Junto com o café, o fim do tráfico proporcionou o início da modernização brasileira.[11]
Reagindo aos efeitos da extinção do tráfico negreiro, os cafeicultores recorreram ao tráfico interprovincial e desenvolveram uma política de atração de imigrantes europeus para suas lavouras. As lavouras decadentes da cana-de-açúcar no Nordeste ampliaram a venda de escravos para as lavouras do Centro-Sul, que se transformaram na principal região escravista do país. Porém, o trabalho dos imigrantes só ganharia peso na década de 1880, quando os cafeicultores já não conseguiam segurar os escravos nas fazendas, devido à força da campanha abolicionista.

[editar]O Café e a geada

O café foi plantado oeste do estado de São Paulo, nos lugares mais altos, os espigões, divisores das bacias dos rios que desembocam norio Paraná, lugares menos propensos à geadas que as baixadas dos rios. Nestes espigões foram também construídas as ferrovias e as cidades do Oeste de São Paulo, longe da malária que era comum nas proximidades dos rios. O café em São Paulo sofreu sobremaneira com a "grande geada de 1918" e a geada de 18 de julho de 1975, que atingiu também o norte do estado do Paraná, dizimando todos os cafezais das regiões de Londrina e Maringá.[12]

[editar]A Valorização do Café

O mais conhecido convênio de estados cafeeiros para obter financiamento externo para estocagem de café em armazéns a fim de diminuir a oferta externa e conseguir preços mais elevados para o mesmo foi o Convênio de Taubaté de 1906. O pressuposto da retenção de estoques de café era a crença de que depois de uma safra boa, seguiria-se uma safra ruim, durante a qual o café estocado no ano anterior seria exportado. A partir da década de 1920, a valorização do café tornou-se permanente, aumentado muito o volume estocado, fazendo os preços se elevarem, atraindo com isso novos países produtores ao mercado fazendo concorrência ao Brasil. Com a crise de 1929, a partir do governo de Getúlio Vargas, todo os estoques de café tiveram que ser queimados para os preços não subirem. A escolha foi feita de modo a manter o café como um produto destinado às elites. Ou seja, o governo preferiu queimar o café à vendê-lo por um preço mais baixo, o que o tornaria acessível a qualquer cidadão da época. Foram queimados de 1931 a 1943, 72 milhões de sacas, equivalentes a 4 safras boas. A partir de 1944, a oferta de café passou a ser regulada por convênios entre países produtores.[13][14]
Cápsulas de Café Expresso da marca Nespresso
Atualmente, o Café é considerado "a bebida do sistema capitalista", devido às propriedades que a cafeína confere aos seus usuários, levando-os a obterem melhor rendimento e produtividade no meio profissional.[carece de fontes]

[editar]Na Europa

Café Nicola, em Lisboa
Os estabelecimentos comerciais na Europa consolidaram o uso da bebida do café, e diversas casas de café ficaram mundialmente conhecidas, como o Café Nicola, em Lisboa, onde se encontravam políticos e escritores, sendo de realçar o poeta Bocage, o Virgínia Coffee House, emLondres, e o Café de La Régence em Paris, onde se reuniam nomes famosos como Rousseau,VoltaireRichelieu e Diderot.
O invento da cafeteira, já em finais do século XVIII, por parte do conde de Rumford, deu um grande impulso à proliferação da bebida, ajudada ainda por uma outra cafeteira de 1802, esta da autoria do francês Descroisilles, onde dois recipientes eram separados por um filtro.
Em 1822 uma outra invenção surge em França, a máquina de café expresso, embora ainda não passasse de um protótipo. Em 1855 é apresentada em uma exposição, em Paris, uma máquina mais desenvolvida, mas foi em Itália que a aperfeiçoaram.
Assim, coube aos italianos, apenas em 1905, comercializar a primeira máquina de expresso, precisamente no mesmo ano em que foi inventado um processo que permitia descafeinar o café. Em 1945, logo após o final da Segunda Guerra Mundial, a Itália continua tendo a primazia sobre os expressos e Giovanni Gaggia apresenta uma máquina onde a água passa pelo café depois de pressionada por uma bomba de pistão. O sucesso foi notório.[15]

[editar]A Crise de 1929

Distribuição geográfica dos diferentes cultivos (r: robusta, m: robusta e arábica e a: arábica).
Com a "quebra" da Bolsa de Valores americana em 1929, o Brasil teve a primeira grande crise de superprodução do café, tendo que o governo brasileiro promover a queima de estoques para tentar segurar os preços. Nos finais da década de 1930, o Brasil tinha-se visto a braços com outro excedente de produção que foi resolvido com ajuda da Nestlé, quando esta inventou o café instantâneo.[16]
Superada mais essa crise, o Brasil continuou a ser o maior produtor mundial de café, embora nos últimos anos tenha de concorrer com outros países da América Latina.
O café é, atualmente, a bebida artificial mais consumida no mundo, sendo servidas cerca de 400 bilhões de xícaras por ano. O tipo de café mais comum é o arábica, ocupando cerca de três quartos da produção mundial, seguido do robusta, que tem o dobro da cafeína contida no primeiro.

[editar]O café e a saúde

Star of life caution.svg
Advertência: A Wikipédia não é consultório médico nem farmácia.
Se necessita de ajuda, consulte um profissional de saúde.
As informações aqui contidas não têm caráter de aconselhamento.
A maioria das pessoas que consomem café diariamente desconhece as substâncias saudáveis e os seus efeitos terapêuticos:
cafeína chega às células do corpo em menos de 20 minutos após a ingestão do café. No cérebro, a cafeína aumenta a influência do neurotransmissor dopamina.
Entre os malefícios causados pelo consumo excessivo de café podemos listar:
  • Ação diurética compulsivo causadora de perda de minerais e oligoelementos, aminoácidos e vitaminas essenciais.
  • Causa enfraquecimento do organismo através da perda de sódio, potássio, cálcio, zinco, magnésio, vitaminas A e C, bem como do complexo B.
  • Possui relação direta com a doença fibroquística (eventualmente precursora do “câncer da mama”).
  • Pode causar o aparecimento de polipos (primeiro estágio do câncer no aparelho digestivo), verrugas, psoríases e outras afecções dermatológicas.
  • Reduz a taxa de oxigenação dos neurônios.
  • Provoca uma maior secreção de ácido clorídrico, causando irritações nas mucosas intestinais que causam colites e ulcerações, principalmente para quem sofre de gastrite.
  • Sua ação é acidificante do sangue, propiciando o surgimento de leucorreias, cistites, colibaciloses e variados acessos fúngicos.

[editar]Valor nutricional

Valor nutricional por cada 100g
kJ2
Carbohidratos0
Gordura0,02 g
Gordura saturada0,02 g
Gordura trans0 g
Gordura monoinsaturada0,015 g
Gordura polinsaturada0,001 g
Água99,39 g
Proteínas0,12 g
Cafeína40 mg
Vitamina A0 ug
Betacaroteno0 ug
Vitamina B10,014 mg
Vitamina B20,076 mg
Vitamina B30,191 mg
Vitamina B50,254 mg
Vitamina B60,001 mg
Vitamina E0,01 mg
Vitamina K0,0001 mg
Cálcio2 mg
Ferro0,01 mg
Magnésio3 mg
Manganésio0,023 mg
Fósforo3 mg
Potássio49 mg
Sódio2 mg
Zinco0,02 mg

[editar]Produção

Principais produtores
(venda em milhares de ton)
Fonte:OIC
Ano198419942004
 Brasil1 28425%1 69230%2 35635%
 Vietname140%2124%83112%
 Colômbia66213%77914%68410%
 Indonésia3737%3777%4437%
 Etiópia1393%1523%3004%
 Índia1964%1693%2313%
 Guatemala1703%2274%2213%
 México2605%2504%2043%
 Peru701%711%2013%
 Uganda1533%1443%1652%
 Honduras862%1312%1552%
 Costa Rica1513%1503%1072%
 Costa do Marfim2896%1803%1051%
 El Salvador1343%1382%851%
 Nicarágua511%411%681%
 Papua-Nova Guiné451%681%601%
 Equador832%1433%561%
 Tailândia282%841%481%
 Tanzânia501%411%481%
 Camarões952%240%441%
 Quênia932%1002%431%
 Venezuela591%561%421%
Outros55411%3977%2644%
Total5 039100%5 624100%6 760100%

[editar]Ver também

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CommonsImagens e media no Commons

Referências

  1.  Erowid. Caffeine Content of Beverages, Foods, & Medications. (em inglês) Acessado em 7 de novembro de 2006.
  2.  Portillo, L. (1993) "El Convenio Internacional del Café y la crisis del mercado". Comercio Exterior 43: 378-391. (em espanhol)
  3.  FAOSTAT Agriculture Data. Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação. (em inglês). Página visitada em 31 de outubro de 2005..
  4.  Portal Minas. Minas segue líder na produção de café. Página visitada em 13 de janeiro de 2012.
  5.  Francis, John K. Coffea arabica L. RUBIACEAE Factsheet of U.S. Department of Agriculture, Forest Service (em inglês) Acessado em 7 de novembro de 2006.
  6.  A história do café (HTML). Café Pilão (2008). Página visitada em 30 de setembro de 2008.
  7.  Mexido de Ideias. Origens do Café. Página visitada em 13 de janeiro de 2012.
  8.  Clínica. Vai um cafezinho aí?. Página visitada em 13 de janeiro de 2012.
  9.  Amigo Nerd. Como Montar uma Cafeteria e Livraria. Página visitada em 13 de janeiro de 2012.
  10.  O café no Brasil, in A história do café. (HTML). ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café) (2008). Página visitada em 9 de outubro de 2008.
  11.  UOL Educação. Abolição da escravatura - História. Página visitada em 13 de janeiro de 2012.
  12.  Criar e Plantar. Agricultura. Página visitada em 13 de janeiro de 2012.
  13.  MERGULHÃO, Benedito, O General Café e a revolução Branca de 1937, Irmãos Pongetti Editores, Rio de Janeiro, 1943
  14.  MERGULHAO, A Santa Inquisição do Café, Irmãos Pongetti Editores, Rio de Janeiro, 1940
  15.  Mundo Educação. Economia Cafeeira. Página visitada em 13 de janeiro de 2012.
  16.  Sua Pesquisa. A Crise de 1929. Página visitada em 13 de janeiro de 2012.
  17.  Ciência Hoje, "Café é benéfico para a prevenção de diabetes", acedido a 20 de janeiro de 2011
  18.  Café combate risco de cancro da próstata. Ciência Hoje (19-05-2011). Página visitada em 20 de maio de 2011.

[editar]Ligações externas

Noutras línguas

sábado, 21 de janeiro de 2012



O café no Brasil e suas origens


O cafezeiro – antiga denominação para o que chamamos hoje de cafeeiro – é uma planta natural das estepes da Etiópia. Seu fruto, tal como o guaraná para os índios do Brasil, era aproveitado por estes povos africanos a muitos séculos na confecção de bebidas. Da África seu uso passou aos persas, destes aos árabes que o divulgaram a partir do século XV como um grande estimulante. Assim suas sementes se espalharam por todo o mundo islâmico. Com o comércio com os árabes, o café chega a Constantinopla e logo em seguida a Europa, assim, resumidamente, o café ganhou o gosto de milhares de pessoas do Oriente a Europa.

O consumo do café popularizou-se muito na Europa durante o século XVII, onde toda a produção vinha da Arábia em pequenas escalas. Sendo então a cultura do café muito lucrativa, ela se estendeu por todos os cantos do globo, onde pudesse aclimatar-se, mas a procura do café era muito maior do que a produção, gerando falta do produto no mercado.

Na América do Sul a planta chegou pelas mãos dos franceses quando tentavam colonizar o Novo Mundo. Na tentativa de fincar raízes neste continente é que foram trazidas as primeiras mudas de café para o Brasil – por brasileiros em contato com os franceses – em 1727, plantando-as em Belém do Pará. Quase que de mãos em mãos as sementes do café foram “descendo” a costa do litoral brasileiro, sendo experimentado em diversas províncias (depois Estados) brasileiras até chegar na década de 1770 ao Rio de Janeiro, sendo nesta cidade onde a planta encontrou incrível adaptação.

Mas os agricultores brasileiros, ocupados em cultivar a cana-de-açúcar, ainda o produto agrícola de maior renda na economia do Brasil, estavam pouco ou nada interessados em plantar uma nova cultura. Assim sendo, no início de sua introdução o café obteve pouco apelo entre os brasileiros, pois a maioria dos senhores de engenho estavam ocupados em produzir uma cultura comercial, a cana-de-açúcar. Mas não é difícil de compreender porque a cultura do café substituiu a cultura da cana-de-açúcar nas grandes propriedades no Brasil. Em primeiro lugar, a demanda mundial de café era muito maior do que a do açúcar e só aumentava. Segundo, o café exigia menos mão-de-obra, pois a cana tinha que ser replantada (lembrando-se que não existia qualquer maquinário agrícola senão a enxada, a foice e a pá nas lavouras do Brasil exceto raras exceções ), e o café poderia durar entre 30 a 40 anos em produção.

Mesmo com a crise da indústria açucareira, a lavoura do café encontrou resistência a sua implantação na economia brasileira até a década de 1820, substituindo a partir daí a hegemonia da atividade econômica da cana na economia nacional. Depois de 1820 o café vai ocupando o lugar da cana-de-açúcar e de outras formas de cultivos no Rio de Janeiro e em São Paulo, servindo-se da base da estrutura agrícola deixada por estas e outras culturas. Neste sentido, a cultura do café de 1820 a 1870, atinge o auge de sua produção na região conhecida como Vale do Paraíba, contemplando as Províncias do Rio de Janeiro e de São Paulo (com destaque as cidades de Valença, Pindamonhangaba, Itú, Vassouras, etc.).

A cultura do café exigia grandes espaços de terras e mão-de-obra (escrava), neste sentido, o aumento da produção de café estava ligado ao crescimento da entrada de escravos, que alcançou o auge em 1848, dois anos antes da Lei Eusébio de Queiroz (1850) que proibia o tráfico de escravos, quando desembarcaram no Brasil 60.000 cativos africanos. Além disso, o café exigia grandes áreas de terras devido a falta de cuidados no campo, pois não existia a preocupação e a tecnologia necessária aos cuidados com a terra. Sendo assim, o cultivo do café se tornou uma cultura itinerante que se completava com a exaustão dos solos, seguido de novas derrubadas de matas e novos plantios de café, surgindo dai a expressão utilizada por Monteiro Lobato: “a marcha do café”, que invadia os solos paulistas e cariocas.

Devido a estas características do seu cultivo, o café a partir de 1870, com o encarecimento do preço dos escravos, com a erosão dos solos, e a exploração sem cuidados esgotaram as terras do Vale do Paraíba. As plantações de café, a partir de Itú e Campinas, passaram então a se expandir para a região conhecida como Oeste Paulista, onde se situam as cidades de Limeira, Piracicaba, Rio Claro, Araras, Ribeirão Preto. No final do século XIX, no Oeste Paulista, produzia-se o melhor e a maior quantidade de café para exportação do Brasil, nas plantações de terra roxa (nome derivado de rossa, vermelha em italiano), ideal para o cultivo da planta.
Por Amilson Barbosa
Colunista Brasil Escola

domingo, 25 de dezembro de 2011


Cafeína pode ajudar na cura do Alzheimer

Guilherme Pavarin, de INFO Online Quarta-feira, 08 de julho de 2009 - 12h27


Cafeína pode ajudar na cura do Alzheimer
O poder de cura do café: cerca de duas doses de expresso por dia fizeram camundongos modificados apresentarem melhorias na memória  

Quanto vale este site?

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Um elixir pleno de sabor

Que o café fizesse bem ao Homem, sempre se soube. Tanto que, até ao séc. XVIII era prescrito como medicamento e vendido nas farmácias.

Nos últimos dois séculos poucas substâncias foram tão estudadas do ponto de vista clínico como o café. Se nenhum estudo demonstrou que faça mal, pelo contrário são tantas as pesquisas que demonstram os efeitos benéficos do café e do seu composto activo principal: a cafeína.

Naturalmente, o café deve ser consumido nas quantidades correctas. Essas quantidades, que variam com a mistura, o tipo de preparação e, sobretudo, com os hábitos, o metabolismo e o estado de saúde de cada pessoa.

A cafeína estimula o sistema nervoso, mantém activa a atenção e o humor elevado. Auxilia a respiração e a digestão, atenua a sensação de fome e portanto é um válido auxílio nas dietas. Frequentemente é um óptimo remédio contra as dores de cabeça e potencia a acção dos analgésicos.

Os estudos mais recentes também serviram para desfazer algumas antigas crenças: em doses razoáveis, o café não perturba o sono, nem faz mal ao coração. Pelo contrário, tem uma acção de prevenção de algumas patologias, tais como a cirrose hepática e a doença de Parkinson.

O café contém também substâncias antioxidantes, que contribuem para eliminar os radicais livres.

Portanto, no caso do café, o sabor está de acordo com a saúde. Ainda mais se o café é um expresso: de facto, é a preparação que garante um sabor melhor com menor conteúdo de cafeína. Entre as misturas, as com 100% de Arábica pura têm um teor médio de cafeína de cerca 1,3% contra quase o dobro das misturas de Robusta.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Estudo aponta que café reduz risco de câncer de próstata

Homens que bebem seis ou mais xícaras de café por dia apresentaram uma redução de 60% no risco de desenvolver um tipo extremamente letal da doença


FREDERICO HAIKAL
cafe
Até aqueles que bebem de uma a três xícaras por dia já se beneficiam
WASHINGTON - Para reduzir os riscos de desenvolver um câncer de próstata, quanto mais café melhor, de acordo com um novo estudo publicado nesta terça-feira (17) por pesquisadores da Harvard School of Public Health.

Homens que bebem seis ou mais xícaras de café por dia apresentaram uma redução de 60% no risco de desenvolver um tipo extremamente letal de câncer de próstata, e uma redução de 20% no risco de sofrer com qualquer tipo de câncer de próstata em relação a homens que não consomem a bebida.

Até aqueles que bebem apenas entre uma e três xícaras por dia já se beneficiam com uma queda de 30% do risco de ter o tipo mais letal do câncer de próstata.

"Poucos estudos analisaram especificamente a relação entre o consumo de café e o risco de câncer de próstata letal, a forma mais violenta da doença, que é praticamente impossível de prevenir", destacou Lorelei Mucci, professora de Harvard e principal autora do trabalho.

"Nosso estudo é o maior até hoje a examinar se o café é capaz de reduzir o risco de câncer de próstata letal", acrescentou.

Segundo os pesquisadores, os efeitos são os mesmos para o café descafeinado, o que leva a crer que o benefício está associado às propriedades antioxidantes e antiinflamatórias do café.

O câncer de próstata é a forma mais comum da doença diagnosticada anualmente entre os americanos, e as estimativas calculam que um em cada seis homens terá câncer de próstata ao longo da vida nos Estados Unidos.

Os principais fatores de risco associados à doença são as dietas ricas em gordura, consumo exacerbado de álcool e a exposição a produtos químicos, além da hereditariedade.

O estudo acompanhou 47.911 homens, que forneceram aos pesquisadores informações sobre seus hábitos de consumo de café entre 1996 e 2008. Ao longo da pesquisa, 5.035 deles desenvolveram câncer de próstata, incluindo 642 casos letais.